Que tal se abrir ao amor?
Que tal ajustar o passo com o compasso do coração e se abrir ao amor?
Na verdade, quanto mais o casal
experimenta a força do amor, cuja fonte é Deus, tanto mais percebe que
este amor não pode parar em si mesmo. Compreende que a fonte que
sustenta a relação não são os parceiros em si, nem qualquer coisa que
possam oferecer um ao outro, por mais gentis que sejam, mas somente
Deus.
Diante disso, é libertador entender que
se amar reciprocamente não é se agarrar um ao outro para encontrar
segurança ou fugir da solidão, que o mundo oferece como prêmio pelo mau
uso da liberdade. Afinal já está provado que quanto mais
tentamos preencher os espaços vazios da nossa vida com a presença de uma
pessoa, tanto mais chances temos de nos decepcionarmos e nos sentirmos
sozinhos. Sabe por quê? Porque amar não é simplesmente
preencher espaço. Amar é dar sem esperar receber nada em troca, é viver o
desafio de plantar, cultivar e contemplar o crescimento sem a pretensão
de fazer a colheita. Amar é sair de si mesmo, é voar alto na direção do
infinito sem fazer cálculos para a aterrissagem. O amor não oferece
segurança, antes rouba o que pensávamos ser nossa segurança.
Talvez seja por isso que muitos acham
amar uma tarefa exigente, e têm razão. É exigente mesmo! Só não têm
razão para decidir não amar, visto que esta é justamente a finalidade
para qual fomos criados e enviados ao mundo. Na verdade, mesmo que seja
de maneira inconsciente, trazemos impresso na alma o anseio por amar e
ser amados, basta observar como, na sociedade, canta-se, escreve-se e
fala-se sobre o amor como o belo ideal de vida.
O desafio é encontrar quem realmente
tenha a coragem de ir além da paixão, do desejo e do sentimentalismo e
optar por dividir a vida com o outro, no caso do casamento, assumindo um
compromisso definitivo com todos os sacrifícios e dons que isso
acarreta aos dois.
Nesta hora, geralmente entramos em um dilema: ao
mesmo tempo em que tomamos consciência da necessidade que temos de
amar, nos deparamos também com uma cultura que nos diz: “Não ame! Isso é
coisa difícil demais!” Por exemplo, lidamos diariamente com a
tecnologia, na qual quase tudo é digital, automático e facilitado; a
meta é não precisar fazer esforço e ter tudo pronto, rápido e seguro na
hora em que quisermos. Porém, quando o assunto é o amor, sabemos bem que
isso não funciona… Andamos correndo, e a razão passa o dia inteiro
atropelando o coração. Falta-nos tempo para sorrir, abraçar, estender a
mão e até mesmo apreciar a beleza da natureza. Ouvir uma canção de olhos
fechados, sentindo a brisa tocar no rosto, é coisa raríssima, prestar
atenção nas pessoas – e ainda mais parar para ouvi-las – tornou-se algo
surreal!
Sendo assim, a proposta de amar
realmente não é para qualquer um, é só para aqueles que têm a coragem de
“nadar contra a correnteza” e ir além da superfície dos relacionamentos
virtuais e interesseiros que a mídia oferece, e mergulhar no grande
desafio de desbravar o território mais sagrado que existe: o coração
humano.
Por essa razão, amar não é para qualquer
um, é para quem está interessado no essencial, no eterno, porque “[...]
as profecias serão aniquiladas; as línguas cessarão; a ciência
desaparecerá. O amor jamais acabará” (I Cor 13, 8).
Então que tal ajustar o passo com o compasso do coração e se abrir ao amor?
Você é capaz de amar e ser amado, sim,
pois Deus o criou para isso. Então, “mãos à obra”! Não espere ser amado,
ame primeiro! Comece lançando as sementes, empenhe-se no cultivo e não
se preocupe com a colheita; ela virá no tempo certo e seus frutos serão
maravilhosos. Pode crer! E mais: se Deus o chama a assumir o matrimônio,
e já lhe confiou a pessoa com a qual pode casar-se, não perca tempo,
celebre este amor com o sacramento. Fuja das influências sociais que
colocam os bens acima do bem maior. Se o casal está disposto a unir-se
na missão de amar, e tem Deus no centro de tudo, a Providência Divina
não deixará lhes faltar o necessário; eu e meu esposo somos testemunhas
disso.
As lutas fazem parte da vida em qualquer
etapa, também no matrimônio. O mais importante, no entanto, é nunca nos
esquecermos de que Deus está conosco e cuida dos detalhes,
quando não nos dá o que Lhe pedimos, Ele nos dá o que precisamos, pois
nos conhece e sabe o que é melhor para nossa salvação. A confiança
incondicional em Seu amor dá sentido a todas as coisas.
Revele o amor de Deus ao mundo amando!
Se hoje você não consegue fazer grandes coisas, faça pequenos gestos,
mas não pare. Uma grande floresta pode começar com o cultivo de uma
semente… Coragem, estamos juntos na missão de amar!
Leia mais:
Comentários
Postar um comentário